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Sexta, 12 Junho 2009 00:00

EXPEDIÇÃO AO CENTRO-OESTE

Revendo algumas plantas e procurando outras.

Nestes últimos anos temos descoberto mais de uma dezenas de novas espécies de plantas, particularmente de palmeiras, nos cerrados do Centro-oeste dos país. No processo de descrição das novas espécies, muitas vezes é necessário rever as populações para levantar novos dados que não foram possíveis em visitas anteriores, porque as plantas ou estavam estéreis, ou só haviam flores ou só frutos. A presente viagem teve esse objetivo principal, porém sempre de olhos atentos para procurar outras plantas, antes que todo este bioma seja destruído, o que é apenas uma questão de tempo (foto 01).

A viagem tomou inicialmente o rumo oeste para o Mato Grosso do Sul a partir de nossa sede ( Nova Odessa) situada na parte leste do estado de São Paulo. Ainda no centro do estado fomos rever uma das ultimas populações de Syagrus loefgrenii, uma palmeirinha cespitosa de menos de 70 cm de altura e conhecida por poucas pessoas, (encontra-se cultivada apenas no “Jardim Botanico Plantarum”) (foto 02).

Adentrando no estado de Mato Grosso do Sul logo nos deparamos com uma espécie nova de Syagrus descoberta há cerca de 2 anos, cuja descrição está em processo final de publicação; é considerada a menor palmeira conhecida (foto 03).

Na mesma região encontramos uma outra espécie de Syagrus, porém cespitosa, de mais de 1 m de altura e formando grandes touceiras. É encontrada em direção ao sul do estado até a fronteira com o Paraguai e aparentemente relacionada com Syagrus petraea; para estudá-la melhor resolvemos segui-la até Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, onde seu porte é menor. Sempre de olhos atentos, acabamos reencontrando, depois de mais de 100 anos, a espécie Astrocaryum pygmaeum (foto 04). Aproveitamos para rever nesta região a última população conhecida de Syagrus liliputiana em território brasileiro, agora com pouco mais de 30 plantas remanescentes; os únicos exemplares cultivados estão no “Jardim Botanico Plantarum”.


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01)- Vista da vegetação de um cerrado no Mato Grosso do Sul, ecossistema rico em diversidade vegetal e um dos mais ameaçados pela exploração agropecuária.

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02)- Grupo de plantas da espécie Syagrus loefgrenii, palmeira acaule rara e endêmica do estado de São Paulo, cultivada no Jardim Botânico Plantarum, consideradas as únicas em cultivo.

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03)- Vista de uma população natural de uma espécie nova de palmeira do gênero Syagrus, considerada uma das menores palmeiras conhecidas.

Voltando agora e tomando rumo norte para Mato Grosso, fomos presenteados com a maior descoberta dos últimos anos: uma palmeira de 3,5 cm de altura, de folhas azuladas do gênero Acrocomia ou Acanthococos. Para alguns estudiosos de palmeiras só existe uma única espécie conhecida no mundo em cada um destes gêneros (nós particularmente consideramos 3 espécies de Acrocomia e 1 de Acanthococos) (foto 05).

Seguindo agora o rumo leste a partir de Primavera do Leste - MT, a cidade que mais cresce no país, logo nos deparamos com outra espécie nova de Syagrus descoberta há cerca de 4 anos e também em fase de publicação de sua descrição. Trata-se de uma palmeirinha acaule de menos de 50 cm de altura com inflorescência em espiga.

Agora já no oeste de Goiás tivemos o prazer de visitar o colecionador de palmeiras após visitar sua grande coleção fomos ver uma população gigante de Bactris glaucescens, na minha opinião uma das mais lindas espécies do gênero (foto 06).

Já no fim da viagem e ainda no oeste de Goiás reencontramos a palmeira Astrocaryum echinatum, considerada até então já desaparecida.

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04)- Astrocaryum pygmaeum, espécie de palmeira muito rara de menos de 30 cm de altura, reencontrada no Mato Grosso do Sul depois de mais de 100 anos.


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05)- Grupo participante da expedição em frente à nova espécie de Acrocomia ou Acanthococos encontrada no Mato Grosso, considerada uma das maiores descobertas dos últimos anos.


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06)- População da palmeira Bactris glaucescens, encontrada em várzea úmida no oeste do estado de Goiás.




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